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O mundo de
acordo com Martin Ottmann |
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« City of Splendour » :
Cidade do Rio de Janeiro - ontem e hoje |
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Introdução
por Martha Jardim Gomes (Quem?) O que é uma cidade? É sua gente? Sua
arquitetura? A natureza que a compõe? Ou o conjunto de tudo isso? E por que
uma cidade muda? São muitas as indagações, e as respostas, inumeráveis. Nasci duas décadas depois, e ainda me
recordo, claramente, de como era bom viver aqui, um lugar seguro, abrigando
alegria e ingenuidade verdadeiras. O próprio sol parece que brilhava diferente
nas praias, algumas ainda desertas. Impossível não ter um sentimento de
perda, não se entristecer por ver esta cidade tão linda, assim aviltada e
abandonada. São tantas as mazelas que provavelmente até Deus se bandeou para
outras terras, com medo das balas perdidas e da violência cotidiana. |
Pão-de-Açucar visto da Avenida
Rui Barbosa (1936) |
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Avenida
Atlântica - Copacabana (1936) |
Outras cidades, principalmente na Europa,
reconstruíram seus edifícios, remodelaram seus castelos, modernizaram suas
avenidas, purificaram seus rios, num movimento de cuidar de seus espaços, de
recuperar o que não estava de todo perdido. Aqui, ao contrário, implodem
casarios e palácios, desfigurando a estética e aniquilando a poesia. Como se
nada merecesse ser preservado, como se fosse manancial sem fim. Amo esta cidade. Quando olho por minha
janela e vejo a estátua do Cristo, braços abertos sobre a Guanabara, com seu
manto verde se esparramando pelo Corcovado, enche-se meu coração de uma
esperança doída, doido por ver esta cidade mais feliz, mais limpa e mais
mansa. Que os próximos governantes sejam mais competentes, honestos, éticos e
corajosos, diferentes do que os por aqui estiveram nos últimos 50 anos. E que
cada um de nós cuide mais dessa jóia de esplendor que foi um dia o Rio de
Janeiro. |
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Eis alguns dos comentários de pessoas que
assistiram o vídeo no youtube: kmeiras: Foi emocionante rever a cidade em que
nasci. Passear com os olhos o que guardo na lembrança, não quero falar da
tristeza que é juntar passado e presente e constatar o vandalismo
imobiliário, político e o desapreço cultural pelos dirigentes do país e da Cidade
Maravilhosa. Prefiro agradecer a felicidade que senti ao rever e cantar...
apesar de tudo Rio de janeiro continua lindo! e a Cidade.... sempre
Maravilhosa! Alexcanazio: O vídeo é maravilhoso como a cidade que
mostra. Mas devemos lembrar que foi gravado há mais de 70 anos em outro
contexto socio-economico de nossa cidade e de nosso país. A cidade então
tinha 1,5 milhão de habitantes, hoje somos mais de 6 milhões. Além disso, o
descaso das autoridades nos deixou ao deus dará. Mas também temos culpa, nós
carioca não fazemos por onde merecer esta cidade que ainda é sim linda, mas
descuidada. Temos que fazer a nossa parte para recuperar sua dignidade e
esplendor. Brasvideo: Absolutamente fascinante!!! Como ainda o é
hoje. Uma cidade cheia de problemas, mas com uma resistência e uma capacidade
de encantar como poucas metrópoles no mundo. Quem já conheceu muitas cidades
do mundo pode atestar a beleza e por incrível que pareça o bom astral que o
Rio ainda guarda mesmo conturbado e misturado à pobreza. Apesar de tudo o Rio
oferece a oportunidade de encantamento à todos, sejam lá de que classe
social. Ainda esplendoroso, temos que resguardar o que resta. ThomasWarteg: O que acho mais incrível é a capacidade da
nossa cidade do Rio de Janeiro se manter esplendorosa apesar das tentativas
de administradores incompetentes que não respeitam a tradição e uma obra de
arte viva, deixando, por questões políticas e beneficio pessoal a
proliferação de favelas e edificios anti-ecologicos e anti-estéticos. Deus
está vendo! montarroyos69: Como morador de Copacabana, só tenho a
lamentar a porcaria que é hoje o Rio...mas, de qualquer maneira, é
contagiante...viver aqui é melhor do que em qualquer outro lugar do mundo,
pena que mudaram a capital...se fosse aqui essa corja de ladrões ia sofrer
muito... |
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As Imagens
- ontem e hoje |
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Palácio
Monroe Construído em 1904 para ser o "Pavilhão do Brasil" na Exposição
de Saint-Louis, por Francisco Marcelino de Souza Aguiar, que usou estrutura
metálica desmontável. Em 1906, foi remontado no Rio de Janeiro. Em 1974 o jornal "O Globo" chama-o de monstrengo
do Passeio
Público. Dividido entre ser edifício garagem ou praça da
estação do metrô, sua demolição é autorizada, em 11 de outubro de 1975, pelo
Pres. Ernesto Geisel. |
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Praça
Paris A Praça Paris foi concebida como uma jóia da
"belle époque", construída entre 1926 e 1930. É numa das maiores
concentrações de esculturas do país, contendo diversos bustos, estátuas em
mármore das estações dos anos, um espelho d'água e belo chafariz. Na época da construção do Metrô a Praça foi
completamente destruída, mas foi reformada em 1992, quando seu charme foi
restaurado. |
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Leme No Morro do Leme foi construído entre 1776 e
1779 o Forte do Leme, atual Duque de Caxias. Vale a pena subir ao alto numa caminhada de
20 minutos por uma paisagem maravilhosa. A praia tem areias brancas, águas
muitas vezes revoltas, e um caminho de pescadores muito procurado. É um lugar
de enorme poesia, mesmo com a violência no Morro da Babilônia e Chapéu
Mangueira, um pedaço de Copacabana que mais parece um pequeno vilarejo. |
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Canal
do Mangue Chamou-se de Mangue ao imenso pântano que se estendia
do Rossio Pequeno ao Campo de Santana. Desde o tempo de D. João VI havia a
idéia de se abrir um canal através desse brejo até a antiga Praia Formosa. Em 1857 a obra foi iniciada, tendo sido
contratado o Barão de Mauá e inaugurado em 7 de setembro de 1860. O Canal do
Mangue foi aberto em 1906 para ajudar no fluxo e refluxo das marés na baía da
Guanabara. |
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Rio
Branco Uma avenida que nasceu rasgando a cidade
colonial, resquício de um século passado, deixando marcas que mudariam
permanentemente a visão da então capital do Brasil, o Rio de Janeiro. Assim
podemos sintetizar a Avenida Rio Branco, chamada em seus primórdios de
Avenida Central; um lugar que já ditou moda, mostrou as novidades do mundo
para a Nação, viu nascer uma nova arquitetura, relegou seu passado
“parisiense” em nome de um ideal “nova-yorquino”. |
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Copacabana A Princesinha do Mar, cantada em prosa e verso, sambas e boleros, filmes,
livros e peças de teatro, Copacabana não é mais tão romântica nem inspira
tanta poesia. Mas, com suas areias brancas e muito finas e servindo de reduto para
turistas, aposentados, ambulantes, profissionais do sexo, artistas, atletas e
um comércio variadíssimo, Copacabana permanece, atraente e encantadora. |
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Até agora, três artigos foram publicados na imprensa brasileira sobre
o vídeo de Fitzpatrick: 9 de Fevereiro de 2008 - O passado
do Rio continua lindo Article por Jornal O Globo Dezembro
2007 - Memória :
Tesouro resgatado Article por Revista Pesquisa FAPESP 18 de Novembro de 2007 - YouTube revela o Rio que já passou Article por Estadão de hoje |
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YouTube revela o Rio que já passou Postado
em Paris, documentário de oito minutos sobre a capital carioca, produzido em
1936, vira hit na internet Clarissa
Thomé, Rio Estadão de hoje Domingo,
18 de Novembro de 2007 O alemão Martin Ottmann, que vive em Paris
há sete anos, não imaginava que um filmete de 1936, de menos de oito minutos,
postado no YouTube, faria tanto sucesso. Queria presentear uma família de
amigos brasileiros. Viu um trecho do documentário num fórum sobre filmes
raros, percebeu que não estava no site e postou o arquivo. Em dois meses,
mais de 72 mil pessoas haviam acessado as cenas. Trata-se de City of Splendour, documentário
da série Fitzpatrick Traveltalks, distribuído pela MGM. Com narração e
direção de James A. Fitzpatrick, americano que se especializou em viagens, o
filme de 1936 mostra um Rio de Janeiro em cores, com ruas amplas e limpas,
uma capital que já acabou, uma cidade de construções baixas às margens da
Guanabara. Mas o cenário de esplêndida fotogenia - o
Pão de Açúcar, a placidez da baía, a Praia de Copacabana - não é tão
diferente do registrado em 1936, quando Noel Rosa e Heitor dos Prazeres fizeram
Pierrot Apaixonado, considerada a melhor marchinha do carnaval daquele ano. "As imagens não são
novas. Já foram usadas no documentário Banana is My Business, sobre Carmen
Miranda. Mas é muito raro ver o
Rio daquela época em cores", diz o pesquisador Antonio Venancio. Até
mesmo Ottmann se surpreendeu. "O vídeo não havia recebido muita atenção
até três semanas atrás. Foram apenas 250 acessos, quando, de alguma maneira,
o boca-a-boca se espalhou", escreveu o alemão, num e-mail ao Estado. O responsável pelo sucesso
do documentário foi o prefeito Cesar Maia (DEM). Ele colocou link para o
vídeo no seu Ex-Blog - comentários transmitidos por e-mail diariamente. Além de reações emocionadas, provocou
queixas. A comparação com o Rio de hoje foi inevitável. "O documentário mostra
uma cidade que o prefeito está longe de apresentar ao carioca. Hoje ele
prefere ficar atrás do computador, procurando imagem no YouTube",
criticou o advogado André Decourt, um dos historiadores informais do Rio. O prefeito lembra que o
filme só mostrou "um lado da cidade". "Havia uma cidade oculta, de cortiços que
começavam a migrar para as favelas", disse Maia. Link externo: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071118/not_imp81860,0.php |
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Memória : Tesouro resgatado Filme de 1936 sobre o Rio de Janeiro mostra como a internet ajuda a
recuperar o passado Neldson Marcolin Revista
Pesquisa FAPESP Dezembro
2007 Edição
142 O que mais pode chamar a atenção na paisagem
do Rio de Janeiro que já não seja suficientemente conhecido no mundo inteiro?
A resposta é tão simples quanto surpreendente: o passado. Um documentário
curto sobre a cidade filmado em technicolor em 1936 atrai a atenção de
dezenas de milhares de visitantes ao site de vídeos gratuitos YouTube desde
setembro. Rio
de Janeiro: city of splendour tem 7 minutos e 54 segundos com produção e
narração em inglês do diretor norte-americano James A. Fitzpatrick. Replicado
por outros sites e blogs, o filme havia registrado quase 120 mil visitas até
a terceira semana de novembro. O documentário sobre o Rio
era parte dos filmes de viagem conhecidos na época como Fitzpatrick
traveltalk e The voice of the globe, distribuídos pela Metro Goldwyn Mayer
(MGM). Normalmente as películas mostravam cidades e lugares distantes ao
redor do mundo antes do filme principal e ajudava a fechar a sessão nos
horários certos. “A exibição dos filmetes, conhecidos como complementos, era
uma praxe nas sessões de cinema e prática corrente dos produtores até os anos
1960 nos Estados Unidos e no Brasil”, lembra Marcos Palacios, pesquisador do
Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da
Universidade Federal da Bahia. James Fitzpatrick
(1894-1980) fez 150 documentários curtos, mas trabalhou como produtor,
assistente de direção, diretor, ator, roterista e narrador, principalmente,
em centenas de outros filmes. Ele
chegou a ser criticado por mostrar apenas os aspectos positivos dos lugares
que visitava. “Fiz meus filmes num tempo em que viajar era quase impossível
para a média das pessoas. Acredito ter mostrado gente que essas pessoas
gostariam de ter visto se pudessem viajar”, respondia o cineasta. De fato, o Rio de City of splendour é quase
uma cidade européia com a vantagem extra de estar enfeitada pela natureza. A
população era de 1,5 milhão de pessoas. As que surgem na tela estão bem
vestidas. As ruas, praças, chafarizes e praias aparecem muito limpos. Os
prédios históricos – como o Palácio Monroe, já demolido – não brigam com a
paisagem. Tudo é incrivelmente harmonioso. Quem vê o filme se encanta com uma
cidade que parecia, de fato, maravilhosa. Marcos Palacios vê o documentário como um
dos símbolos de uma reviralvolta cultural ainda pouco notada. “A internet
potencializou a memória”, diz. “Esse passado esquecido de lugares, pessoas e
coisas ficaria perdido ou enterrado em arquivos de pouco acesso e
dificilmente chegaria até nós sem os atuais recursos da digitalização e
disponibilização em redes.” O pesquisador afirma que na web a memória tende a
se tornar coletiva e permanente. O processo de digitalização é feito sobre algo
produzido no passado (filmes, vídeos, fotos, textos etc.) para o uso no
presente e no futuro. O jornalismo é um dos principais produtores
e beneficiários dessa prática. “O jornal The New York Times, por exemplo,
digitalizou todo seu acervo desde 1851 e abriu para consulta na internet,
indicando uma tendência da imprensa escrita no mundo”, conta. Isso vale também
para ícones da cultura e da história, como os papiros antigos egípcios, os
processos de Nuremberg ou a obra de Leonardo da Vinci, tudo digitalizado em
altíssima resolução, quando necessário, e tornado virtualmente disponível. “Além disso, a digitalização possibilita que
se reúna em um único espaço (site) diversos formatos de diferentes autorias e
procedências, permitindo a construção de uma memória multifacetada e
plurivocal.” City of splendour tornou-se acessível aos
brasileiros porque o alemão Martin Ottman, professor de inglês e de alemão
radicado em Paris, descobriu o documentário de Fitzpatrick em um fórum da
internet especializado em filmes cults e alternativos. “Coloquei o filme no
YouTube para mostrar a amigos que moram em Belém”, conta Ottman. “Até a
penúltima semana de outubro City of splendour havia recebido 150 visitas, mas
alguém do Rio o achou e desde então muitas outras pessoas têm assistido.” Link externo: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3420&bd=1&pg=1&lg= |
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O passado do Rio continua
lindo Curta
feito na década de 30, mostrando uma cidade sem mazelas urbanas, reaparece na
Internet e faz sucesso Carlos
Albuquerque Jornal
O Globo 9
de Fevereiro de 2008 O leão ruge e a cidade entra em cena, cheia
de encantos mil. Na
Praia do Flamengo, os carros deslizam suavemente, em baixa velocidade. Uma murada se debruça em frente ao Pão de
Açúcar, na Avenida Rui Barbosa. Os chafarizes e os jardins dão um toque
europeu à praça bem cuidada na Glória, naturalmente chamada de Praça Paris. Um transatlântico corta as
águas limpas e azuladas da baía da Guanabara. Na Cinelândia, as pessoas
caminham sem pressa, tendo ao fundo o imponente Teatro Municipal. Em
Copacabana, as ondas quebram pequenas, mas perfeitas, enquanto crianças
brincam no calçadão livre de camelôs. A vida é tranqüila no Rio de Janeiro. Parece um sonho, mas essas
são algumas das imagens do curta "Rio - City of Splendour", feito pelo
americano James A. Fitzpatrick, em 1936. Colocado há alguns meses no site
YouTube, por Martin Ottmann, um alemão radicado em Paris, o filme de sete
minutos e 54 segundos se transformou num campeão de “bilheteria”: até ontem,
ele registrava mais de 166 mil acessos. O filme foi também replicado em
diversos outros sites e blogs, inclusive o do prefeito César Maia. A razão do seu sucesso,
acredita-se, seja a nostalgia de uma cidade abençoada por Deus, bonita por
natureza, mas há décadas tratada com descaso e omissão pelas autoridades
públicas. O passado do Rio de Janeiro, porém, continua lindo. - Acredito que o filme faz
sucesso porque é o Rio de Janeiro e não é ao mesmo tempo - diz a historiadora
Isabel Lustosa. - A paisagem é muito parecida com a da cidade que conhecemos
e, no entanto, muito diferente. E
há todo o glamour que o cineasta soube emprestar ao que estava apresentando,
que contribui para despertar uma espécie de nostalgia nas pessoas que vivem
no Rio de Janeiro de hoje. Afinal, a cidade aparece ali em todo o seu
esplendor, limpa, ajardinada, com belas edificações e lindas cores. Filme
fazia parte de série da Metro "Rio - City of Splendour" faz
parte de uma série de documentários feitos por Fitzpatrick para a MGM - daí o
leão rugindo na abertura - , intitulada "Traveltalks". Numa época
em que o termo globalização era uma expressão sem sentido, ela mostrou ao
mundo regiões "exóticas" do Brasil, Argentina, México e Coréia,
entre outros. Normalmente, os filmes da série eram exibidos - em Technicolor!
- nos cinemas americanos antes da sessão principal. Diretor, produtor e roteirista em centenas
de outros filmes, Fitzpatrick era criticado por mostrar apenas o lado
positivo dos lugares que visitou para fazer a série. De fato, no Rio da época
de "City of Splendour" já existiam favelas e a expectativa de vida
no pais era de 36 anos. Fitzpatrick costumava se defender, dizendo que os
seus filmes eram turísticos e não tinham nenhum cunho social. - O vídeo não é enganoso. Afinal, trata-se
de um filme de propaganda turística - argumenta o arquiteto e historiador
Nireu Cavalcanti. - Ele não se propõe a mostrar o que era o Rio como um todo.
Mas o que ele exibe era real. O máximo do Rio naquela época era o centro da
cidade e Copacabana, que eram os atrativos para o turista. Ipanema praticamente não
existia. O filme está fazendo sucesso porque ele é muito bem feito. Nireu Cavalcanti vê
"City of Splendour" como o retrato de uma cidade que, ao longo das décadas seguintes, foi perdendo o
respeito das autoridades e da sua própria população. - O filme mostra a cidade
com um tratamento do espaço público que foi deixado de lado; Você vê as
calçadas, repara no padrão de acabamento da Praça Paris e nos prédios de art
déco. São coisas que mostram que
a cidade tinha alcançado um nível de civilização que já não existe mais. Na
década de 60, começa o período da grande devassa, dos valores inclusive. Hoje
o que nós temos é uma cidade contraditória, onde o metrô é limpo, mas as
pessoas saem dali e jogam lixo na calçada. E há os espaços públicos, quase
todos eles cercados de grades, o que é horrível. Força
do YouTube Do outro lado do Atlântico, Martin Ottmann
conta que jamais imaginou que o vídeo, que encontrou num fórum da Internet
especializado em filmes cultuados e alternativos, tivesse tamanha
repercussão. - Quando coloquei esse filme no YouTube
queria apenas mandar uma espécie de presente virtual para uns amigos que
tenho em Belém, no Pará - explica ele. - Nas primeiras semanas, ele teve
apenas algumas dezenas de visitantes.
De uma hora para a outra, porém, a audiência explodiu. Mas eu entendo
a reação emocional da maioria das pessoas ao ver as mudanças pelas quais a
cidade passou. Isso, de certa forma, me faz lembrar de Berlim, que foi
destruída pela guerra e depois se reergueu. A repercussão do filme de
Fitzpatrick reforça também a importância de uma ferramenta como o YouTube no
literal resgate da história. Sem o site, "Rio - City of Splendour"
poderia acabar apodrecendo num arquivo esquecido em algum lugar. - Creio que o YouTube, assim como as outras
ferramentas que tornaram as informações mais improváveis acessíveis a um
simples clique do mouse, representa uma revolução cultural de proporções
ainda não mensuráveis - acredita Isabel. - Vejo com a maior simpatia essa
partilha gratuita de conhecimento entre pessoas de lugares os mais distantes
um do outro. Para Nireu, a grande questão levantada pelo
filme é outra. - Quando revejo o filme, não consigo deixar
de pensar: como perdemos tudo aquilo? Link externo: http://tinyurl.com/39arqg |
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Video & Screenshots City of Splendour/Traveltalk (“The Voice of
the Globe”) - 1936 - James A. Fitzpatrick/MGM; Imagens do Rio © 2008 Martha
Jardim Gomes (link) - Formada
primeiramente em Comunicação e depois em Psicologia, especialista em
Psicanálise, aprendeu a trabalhar com a imagem digital. Fotógrafa amadora, pesquisa ambientes, paisagens,
culturas e histórias humanas. Nasceu em Curitiba, viveu em fazenda de café no
interior do Paraná, mas desde os 4 anos vive no Rio. Tem por esta cidade um
respeito que beira a paixão; um amor que beira a mania. Acredita na utopia de
ver, um dia, a Beleza dela triunfar sobre a Maldade de quantos a queiram
destruir. |
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